João Gomes
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João Gomes

TUDO SERVE NA UCRÂNIA PARA LEGITIMAR A GUERRA


Por: | 30/06/2026



 * As denúncias de recrutamentos coercivos e alegados abusos exigem uma resposta transparente das autoridades e não podem ser ignoradas pela Europa.

   Há imagens que nenhum Estado de direito pode simplesmente ignorar. Ao longo dos últimos meses, têm surgido dezenas de vídeos que parecem mostrar cidadãos a serem abordados, imobilizados e introduzidos à força em carrinhas, em ações atribuídas aos Centros Territoriais de Recrutamento (TCK) da Ucrânia.

    Independentemente de cada caso exigir verificação individual, a repetição destas imagens levanta uma questão séria: estaremos perante episódios isolados ou perante um padrão de atuação que merece investigação profunda e independente?

    A guerra nunca pode servir de fundamento para suspender os princípios básicos do Estado de direito. Se existem abusos cometidos por agentes encarregados do recrutamento militar, eles devem ser investigados, punidos e tornados públicos. Nenhum país que afirma defender valores democráticos pode aceitar que o recurso à força se transforme numa prática normalizada sem controlo judicial e sem escrutínio.

    Particularmente inquietantes são os vídeos em que surgem mulheres a serem conduzidas coercivamente. Não existe confirmação pública de que a Ucrânia tenha iniciado uma mobilização obrigatória de mulheres e a existência destas imagens exige esclarecimentos oficiais. Num contexto de guerra, qualquer privação ilegítima da liberdade é, por si só, motivo suficiente para desencadear investigações rigorosas.

    A União Europeia, que presta um apoio político, financeiro e militar significativo à Ucrânia, não pode permanecer desatenta a denúncias credíveis de violações dos direitos fundamentais. É de exigir que os mesmos princípios de legalidade, proporcionalidade e respeito pelos direitos humanos (que a Europa afirma defender) sejam igualmente observados pelos seus parceiros.

   A credibilidade dos valores europeus mede-se precisamente na capacidade de exigir transparência aos aliados, e não apenas aos adversários. Fechar os olhos perante alegações sérias ou desvalorizar imagens que suscitam legítimas preocupações apenas alimenta a desconfiança pública.

    A guerra não pode justificar tudo. Se existem abusos, devem ser reconhecidos. Se existem crimes, devem ser investigados. E se as imagens que continuam a surgir refletem um problema estrutural, então a resposta não pode ser o silêncio, mas antes a verdade, a responsabilização e a defesa intransigente do Estado de direito.

Nota: Novo vídeo do rapto de uma jovem.


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