João Gomes
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250 ANOS DEPOIS, UMA NAÇÃO À PROCURA DE SI PRÓPRIA


Por: | 05/07/2026


  As celebrações do 250.º aniversário dos Estados Unidos deveriam representar a afirmação de um projeto nacional comum. Em vez disso, revelam uma sociedade profundamente dividida sobre a sua própria identidade. Enquanto centenas de nacionalistas brancos marcham com bandeiras confederadas e discursos anti-imigração, outros milhões de americanos olham para essas imagens como um retrocesso histórico incompatível com os valores democráticos do país.

    A questão já não é apenas política. É civilizacional. Uma nação que durante décadas se apresentou imaginando-se como "símbolo da integração de povos" está hoje dividida entre uma visão plural da cidadania e outra que procura definir a identidade nacional por critérios étnicos, culturais ou religiosos.

   A polarização crescente, a violência política, os frequentes ataques armados, a radicalização do debate público e a perda de confiança nas instituições alimentam um ciclo de confrontação que ameaça tornar permanente a exceção. Quando a sociedade deixa de reconhecer um espaço comum de pertença, cada vitória eleitoral passa a ser encarada como uma ameaça existencial pelo lado vencido.

  Os 250 anos da independência americana acabam, assim, por levantar uma pergunta: estará a maior potência mundial a celebrar a sua maturidade democrática ou a expor as fraturas internas que poderão marcar o seu futuro e o futuro de uma parte do Mundo durante as próximas décadas? A resposta dependerá da capacidade dos Estados Unidos reencontrarem aquilo que nenhuma Constituição, por si só, consegue garantir: um verdadeiro compromisso coletivo com o bem comum.




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