Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa

Beleza que ilumina e dói

Por: | 04/07/2024

Pensamentos Provisórios

Deus me deu um dom. Saber apreciar a beleza. O que é a beleza para mim? O cavalo, a mulher, o pássaro, o poema. É muito belo, também, o “Concerto para violino”, de Beethoven, “O rio Moldávia ”, de Dvorak, a “Tocata em fuga”, de Johann Sebastian Bach. É muito belo aquele fim de tarde entre a agonia das pedras que cercam e dominam a minha cidade. É muito bela a minha cidade. Foi lá que se deu o primeiro encontro entre mim e a beleza. Faca nas mãos, saindo da cocheira em pleno meio dia e na verdade dos trópicos, ela me veio com o gosto do para sempre. Era, sim, a beleza ao sol, nua e destemida, vegetal e animal, numa mesma ética e numa mesma poesia. É muito belo o marmeleiro afogado dentro da seca, o vermelho voluptuoso da fruta do cardeiro, o boi no pasto miúdo da caatinga. O nome das reses, os terços ao crepúsculo, as novenas de maio, a retreta, o pastoril, tudo me deu o prêmio da beleza. A neblina que dança nos seus olhos, como uma Diadorim lavada pela umidade das águas brejeiras, é a beleza que ilumina e dói, como as coisas que ardem e perduram.


FONTE: Facebook - Acesse

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