QUEM IRÁ BOMBARDEAR WASHINGTON PARA DEFENDER AS MULHERES AMERICANAS? / Por Fabiano da Costa

QUEM IRÁ BOMBARDEAR WASHINGTON  PARA DEFENDER AS MULHERES AMERICANAS? / Por Fabiano da  Costa
01/03/2026

   Em abril de 1986, o presidente dos EUA, Ronald Reagan, ordenou um bombardeio sobre as duas maiores cidades líbias, Trípoli e Bengazi. Em Bab al-Azizia, a filha de Kaddafi, um bebê de apenas de 18 meses, foi morta. Outras centenas de civis, sucumbiram. 

  Para pessoas com algum poder de abstração, é preciso um exercício: imaginar como o mundo encararia, se algum país atacasse a Casa Branca e a filha de um presidente estadunidense fosse morta.

    Diante do mesmo absurdo, é preciso conceber o que aconteceu no Irã: um bombardeio orientado por Donald Trump, matou o líder religioso Ali Kamenei, e também sua filha, seu genro e sua neta. E claro: civis. Destes, 150 em uma escola.

   O termo genérico para este tipo de ação, ao menos quando acontece no Ocidente, é terrorismo. Quando ocorre no Terceiro Mundo, sobretudo nos países de esmagadora maioria muçulmana, se denomina "ataque preventivo".

  O assassinato de Kamenei fere todas as regras do Direito internacional. Seria algo absurdo como se os fuzileiros americanos entrassem na Venezuela, com poder de polícia, e sequestrassem o presidente Nicolas Maduro. Ah sim! Isto já aconteceu!

  Rússia e China advertiram ontem, para o tensionamento contínuo exercido por Washington e seu braço, o Estado de Israel. Não muito longe do Irã, e quase toda a imprensa esqueceu deste detalhe, a OTAN instalou, em dezembro de 2021, mísseis em bases ucranianas, que ficavam a apenas 130 km da fronteira da Rússia.

     Mais assustador do que tudo isto, é o rapto da narrativa e o convencimento da população com argumentos pífios. Em 2025, a grande mídia se mostrou muito preocupada com a situação das mulheres iranianas. Em um país onde o número de universitários é de 60% de mulheres e o Estado ampara famílias dirigidas por elas, este detalhe sumiu do noticiário.

   O poder patriarcal, inegável, citado repetidamente pelos telejornais, parecia só existir no Irã. No Brasil, onde uma mulher é estuprada a cada 6 minutos, e a cada 6 horas uma é morta, vivíamos em paz. Um estudo de 2024 mostrou que dos feminicídios ocorridos nos 25 países mais populosos do mundo, 70% ocorreram nos EUA.

Quem irá bombardear Washington para defender as mulheres americanas?


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