O SENHOR DA GUERRA NA AMÉRICA LATINA/ Por Elaine Tavares

O SENHOR DA GUERRA NA AMÉRICA LATINA/ Por  Elaine Tavares
20/03/2026

   As ameaças de Donald Trump sobre exterminar Cuba estão muito além da retórica. O recrudescimento do bloqueio econômico, impedindo que o petróleo chegue a ilha está, mais uma vez, torturando a população com cortes de energia, acúmulo de lixo e falta de alimentação. Um crime a mais na fieira de crimes dos Estados Unidos contra os países latino-americanos, que não encontra parada.

   O sequestro de Nicolas Maduro e Cilia Flores, a prisão ilegal, o envio de secretários e empresários à Venezuela também tem estrangulado o país que está praticamente sendo obrigado a negociar o envio petróleo para os Estados Unidos, deixando de prestar ajuda a Cuba. Apesar de o comando político do país estar ainda na mão de dirigentes chavistas, a correlação de forças tem imposto acordos que não são os melhores para o país.

  Agora, Trump começa a investida ao governo de Gustavo Petro aliando-se a vende-pátrias como o presidente Noboa, do Equador, buscando gerar tensão na fronteira com o velho papinho de “combate ao narcotráfico”. Na semana que foi de 01 a 06 de março, uma operação militar equatoriana, com apoio dos Estados Unidos, chamada de “Extermínio Total”, foi executada em região da fronteira com prisões e torturas contra os camponeses que nenhuma ligação têm com o tráfico de drogas.

  O governo comemorou a operação alegando ter destruído um acampamento do grupo “Comandos da Fronteira”, mas os relatos da Aliança de Direitos Humanos do Equador apontam que o local do ataque não foi em acampamento criminoso e sim na comunidade agrícola de San Martín, que existe ali há 30 anos, com 25 famílias plenamente identificadas pelo governo. Segundo a coordenadora da Aliança, Maria Espinoza, no dia 03 de março, um comando do exército atacou casas de camponeses, colocando fogo nelas e prendendo cinco agricultores. Quando a comunidade tentou reagir, os soldados abriram fogo, impedindo qualquer reação.

  No dia seis de março o comando retornou com helicópteros e aviões bombardeando a área, destruindo mais casas e aterrorizando as famílias, sem qualquer justificativa.

   Espinoza denuncia que, de fato, o que se está construindo é uma ideia estigmatizada de que as pessoas que vivem na fronteira entre os dois países são todas elas criminosas ou narcotraficante, o que é um absurdo. Ali existem comunidades pequenas que vivem da agricultura e que não podem ter suas vidas em risco apenas por que estão na fronteira. Ela informa que foi encaminhado a Procuradoria Geral da República um pedido de explicações sobre esta operação, mas não houve resposta até agora.

   Nesta semana o presidente colombiano Gustavo Pedro declarou que nesta operação pode ter havido também ataque de forças equatorianas no território de Colômbia, pois inclusive, foi encontrada uma bomba bem próxima a San Martín, do outro lado do rio, já no lado colombiano. Esta acabou não explodindo, mas se configura numa ação gravíssima e claramente pode ser um episódio destinado a aprofundar as tensões. Também foram encontrados 27 corpos carbonizados na mesma região e na mesma semana da operação “Extermínio Total”. O caso está sendo investigado.

    Estas ações não acontecem por acaso, fazem parte de todo esse plano de desestabilização da região coordenado pelos Estados Unidos que quer a submissão total dos governos aos seus interesses. Venezuela, Colômbia e Cuba são os alvos da vez.


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