SAPO / Ataques iranianos atingem refinaria no Kuwait e ONU adia votação sobre Ormuz

SAPO / Ataques iranianos atingem refinaria no Kuwait e ONU adia votação sobre Ormuz
03/04/2026

Ataques iranianos atingem refinaria no Kuwait e ONU adia votação sobre Ormuz

ExpressoExpresso

03 Abril 2026

Drones provocaram incêndios numa das maiores refinarias do Médio Oriente e novos mísseis iranianos foram lançados contra Israel. Crise no estreito de Ormuz continua sem resposta internacional

A guerra entre o Irão, Israel e os Estados Unidos alastrou-se novamente ao Golfo esta sexta-feira, depois de drones terem atingido a refinaria de Mina al-Ahmadi, no Kuwaitataque provocou incêndios em várias unidades operacionais, sem causar vítimas, segundo a BBC, que cita a empresa estatal Kuwait Petroleum Corporation. É o terceiro ataque contra esta instalação desde o início do conflito.

Autoridades kuwaitianas relataram também danos numa central elétrica e numa unidade de dessalinização, de acordo com a Al Jazeera e o “Times of Israel”. Equipas de emergência foram mobilizadas para controlar os incêndios e manter as operações.

Ormuz à espera de solução

O estreito de Ormuz mantém-se no centro da crise. A votação prevista no Conselho de Segurança da ONU sobre uma resolução apresentada pelo Bahrein deixou de constar da agenda desta sexta-feiraA proposta prevê autorizar Estados-membros a utilizar meios defensivos para proteger a navegação naquela passagem estratégica. O “Times of Israel”, citando a Associated Press, refere que a votação poderá realizar-se no sábado. As Nações Unidas não anunciaram nova data.

Segundo a Al Jazeera, dados da empresa Windward indicam um ligeiro aumento do número de navios a atravessar o estreito, ainda muito abaixo dos níveis anteriores à guerra. A mesma estação refere contactos entre o Irão e Omã sobre um possível protocolo de gestão do tráfego marítimo.

Ataques a Israel prosseguem

Israel voltou a ser alvo de mísseis iranianos. A BBC refere que um ataque durante a noite provocou danos numa estação ferroviária em TelaviveO “Times of Israel” relatou posteriormente um novo ataque balístico dirigido ao norte do país e indicou que um dos mísseis transportava uma ogiva de dispersão, segundo avaliações militares israelitas.

O Ministério da Saúde israelita informou que 148 pessoas foram hospitalizadas nas últimas 24 horas, elevando para mais de 6500 o número de admissões desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, segundo dados citados pelo “Times of Israel” e pela Al Jazeera.

Ponte no destruída e abertura ao entendimento

No Irão, os bombardeamentos norte-americanos e israelitas continuam a atingir infraestruturas estratégicas. Segundo a BBC e o “Guardian”, um ataque aéreo a uma ponte perto de Karaj, a oeste de Teerão, provocou pelo menos oito mortos. O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou entretanto ampliar os ataques a pontes e centrais elétricas iranianas, afirmando que as forças dos Estados Unidos ainda não começaram a destruir “o que resta” da infraestrutura do país.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano Javad Zarif defendeu um entendimento com Washington para terminar o conflitoZarif propõe que o Irão “declare vitória” e avance para um acordo que inclua limites ao programa nuclear, reabertura do estreito de Ormuz, levantamento das sanções e um pacto de não agressão com os Estados Unidos. O “Guardian” acrescenta que a proposta prevê reduzir o stock de urânio enriquecido para níveis próximos dos definidos no acordo nuclear de 2015.

Autoridades iranianas afirmaram também ter abatido um caça norte-americano F-35 sobre o centro do país. A alegação não foi confirmada pelos Estados Unidos.

Mercados sob pressão

O conflito continua a pressionar os mercados energéticos. O Brent subiu cerca de 8% esta sexta-feira, ultrapassando os 109 dólares por barril e acumulando uma valorização próxima de 50% desde o início da guerra.

No Paquistão, o Governo anunciou aumentos de 43% na gasolina e de 55% no gasóleo, citando o impacto da subida dos preços internacionais do petróleo, segundo a BBC.


FONTE: SAPO (sapo.pt)

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