
Neste final de semana vi três filmes verdadeiramente maravilhosos, todos com protagonistas velhos. Não eram filmes sobre velhos, mas com gente velha nos papéis centrais. Achei curioso, levando em conta que a sociedade moderna simplesmente tenta apagar os velhos, como se eles não tivessem mais nada a dizer sobre o mundo. Os filmes em questão mostram o contrário. Apontam para a beleza da experiência, colocando no centro da narrativa, atores e atrizes velhas, carregadas de memórias.
O primeiro dos filme é o argentino "Parque Lezama", que mostra o encontro de dois velhos num parque e sua improvável amizade. É de uma delicadeza sem fim. E os personagens, absolutamente encantadores. É possível quase tocar o talento de cada um deles, Luis Brandoni e Eduardo Blanco, fruto de larga jornada como atores. Num ritmo lento eles vão vivendo situações inusitadas, coisas engraçadas e tristes sobre ser velho, mas tão carregado de humor que o que realmente fica é a grandeza de cada personagem. É fantástico.
O outro filme é o brasileiro "O último azul”, dirigido por Gabriel Mascaro. Uma historia que se passa num futuro próximo, quando os velhos, ao chegarem a uma certa idade, são mandados para colônias habitacionais, para ali encerrarem seus dias sem “incomodar"os filhos. A protagonista é uma mulher de 77 anos, que está para ser enviada ao lugar, mas não quer abrir mão de sua autonomia. Interpretada por Denise Weinberg, o que se vê é uma atuação extraordinária. Também é digna de aplauso a personagem de Miriam Socarras, outra mulher velha, que, tal e qual a fujona Teresa, decide desafiar o destino imposto. As duas protagonizam a cenas mais belas do filme, mostrando que mesmo nos tempos mais sombrios, é a presença que muda a vida.
O terceiro filme é outra maratona grandiosa: “Vitória". Fernanda Montenegro praticamente carrega o filme nos ombros, sozinha, ao dar vida a uma mulher que desbarata toda uma rede de tráfico e corrupção policial. Que atuação espetacular. Cada pequena cena, cada fala é um escândalo de linda. Que grande artista é essa nossa Fernanda. Ela aparece na sua completa fragilidade de mulher velha, mas absolutamente poderosa na sua condição de atriz. Que coisa mais extraordinária ver aquela mulher em ação. É, indiscutivelmente, uma deusa.
Indico cada um destes filmes.. São bonitos, são sensíveis, são cheios de ternura… Coisas que precisamos demais…
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