EM HONRA A URIAS E BATE-SEBA/ Por Chico Guil

EM HONRA A URIAS E BATE-SEBA/ Por Chico Guil
14/04/2026


    Pode-se dizer que os Estados Unidos chegaram ao fundo do poço moral quando vemos o Washington Post dizendo que seu país deveria matar os negociadores iranianos em Islamabad. Pessoas com nível acadêmico, formadas em jornalismo, pensando e agindo como répteis, para defender a guerra que Israel inventou.

    O mundo está entrando em convulsão, porque Israel escolheu fazer uma guerra, e os USA entraram de gaiatos neste navio. 

Os católicos sempre gostaram de falar de Israel. Nem tanto porque represente para os cristãos a Terra Santa, mas acima de tudo porque é uma palavra sonora. Busca eco em tempos ancestrais, magníficos e gloriosos. Israel! dizem os Sacerdotes, com a boca cheia, e preenchem os corações dos fiéis com aquele ósculo da glória e do mistério. Em seguida dizem novamente, Israel! para sentir ecoar na grande abóbada do templo. Depois exaltam o Rei Davi, afirmando que Deus está com ele. Nas raras vezes em que admitem ter Davi traído, e depois mandado assassinar um amigo, sempre afirmam piedosamente ter sido aquele um mero tropeço.

   Davi desejava Bate-Seba, a bela mulher do soldado Urias. Quando Urias foi à batalha matar pessoas em nome de Davi, este urdiu para ficar a sós com Bate-Seba e fazer sexo com ela. Terminou por engravidá-la. Devem ter feito sexo muitas vezes, visto que uma gravidez raramente ocorre numa primeira tentativa! Portanto ele deve ter tido tempo para pensar na sua falta! Quando soube da gravidez, chamou Urias para que ficasse alguns dias descansando em companhia da esposa, não em agradecimento pelos serviços prestados na guerra, mas com o premeditado objetivo de iludir o soldado de que o filho era deste. Mas Urias, soldado fiel, declinou da oferta e retornou aos campos de luta para continuar matando em nome de seu amado rei. Davi então chamou Joabe, o comandante do exército, a fim de concretizar um plano que ele próprio não teve coragem de executar: assassinar Urias. E o plano vingou: por ordem de Davi, Urias perdeu a vida.

  De uma só vez Davi demonstrou ser promíscuo, traidor, covarde e assassino, ainda que um assassino indireto. E triplamente egoísta, pois tomou para si o que era do amigo, roubou-lhe a vida e transformou Joabe em assassino. Mas a Igreja exibe-o no discurso dominical como exemplo de homem virtuoso. Por quê? Por que a Igreja adora os reis e gosta de falar em magnitudes. A estrutura ética desses personagens pouco interessa! 

    Talvez é por isso que a Igreja se veste de sedas e pedrarias e levanta grandes palácios onde quer que se instale, em detrimento da pregação cristã sobre a humildade e o despojamento.


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