LEMBRANÇAS TRISTES DE UM BRASIL BOLSONARISTA-PARTE 4/ Por Isabel Moreno

LEMBRANÇAS TRISTES DE UM BRASIL BOLSONARISTA-PARTE 4/ Por Isabel Moreno
20/04/2026

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O PELOTÃO E O PATOTÃO

     Gente, precisamos reavivar a nossa memória para contarmos o que nos legou quatro anos de extrema-direita no poder.  Um dos maiores feitos foi nomear um patotão de figuraças para ministérios e secretarias.

   Só para começar, o Secretário de Cultura não tinha um pingo de cultura e fez um vídeo incoerente como se fosse um herói nacional, mas parafraseando um ministro de Hitler para anunciar que a nova arte brasileira seria como ele queria ou não seria nada.  Até cego viu que esse discurso embutia uma ameaça, porque o discurso original era declaradamente uma ameaça.

   Tudo bem. O ministro da saúde não tinha diploma de medicina, a ministra dos direitos humanos não era formada em direito, o ministro da educação era um mal-educado que escrevia com erros de português e o ministro do meio-ambiente achava que preservar o meio ambiente é coisa de comunista.

O ministro da economia não acertou uma, mas graças a ele o povo descobriu o que é e para que serve uma empresa Offshore.  

     A política daqueles quatros anos infelizes causou o desemprego de milhares de humoristas, que precisaram voltar ao velho pastelão para não morrerem de fome. Naqueles dias sombrios, nem o Costinha teria a menor graça.

  Havia o deputado Kim Kataguiri, que fez um blog onde se especializou em falar bem dele mesmo, enquanto o movimento carioca FORAEDUARDOPAES fez campanha para votarem no Eduardo Paes contra o Wilson Witzel, que ganhou a eleição para o governo do Rio de Janeiro mesmo com 90% do eleitorado fluminense nem desconfiar como se pronuncia o nome dele. 

    Lembram do secretário da pesca com aqueles dentes de mentex? Aquele que disse que o peixe é um animal inteligente. Alguém deveria ter ensinado a ele que o princípio básico da pesca é justamente que o peixe não sabe diferenciar se a isca é comida ou algo que poderá mata-lo.

   Uma tal de Sara Inverno ameaçou um ministro do STF e se disse perseguida pelo mesmo ministro do STF que ela mesma ameaçou.

A Globo virou Esquerda, a Folha de São Paulo foi taxada de comunista e a UDR acabou sendo considerada "progressista". Só faltou o Cabo Daciolo ser promovido a General da Banda e o Bispo Macedo incorporar Pombagira.

    Em setembro de 2021, o Bozo tentou colocar o pelotão nas ruas e os caminhoneiros nas estradas, mas parados.  Com a trama em andamento, o velho cantor Sergio Reis e o cantor mais velho ainda Eduardo Araújo, se reuniram com um grupo de barrigudos feios para anunciarem o golpe e a "dissolução do STF", entregando o golpe que nem estava totalmente articulado.  Deu tudo errado, todo mundo negou tudo, inclusive o Sergio Reis que jurava nunca ter dito o que disse naquela reunião cheia de gente feia. Entre o pelotão bozonarista pintou aquele climão de festa de casamento cancelada porque a noiva largou o noivo e fugiu com um comunista.  No fim das contas, o único preso foi um otário que ficou soltando rojões na frente do STF para comemorar um golpe que nunca aconteceu.

     Foram tempos difíceis para os humoristas, que precisaram ficar sérios e passaram a fazer críticas contundentes ao governo, sem apelar para a piada fora de hora ou caretas sem o menor sentido.  Sem dúvida, os humoristas foram os maiores prejudicados naqueles anos e por pouco a profissão não se extinguiu.

     Só para acabar de vez com os humoristas, o governo bozocrático nomeou um veterinário para cuidar da vacinação (de pessoas e não de gado).

Se tivesse sido reeleito, eu acho que a próxima zoeira do Bozo seria nomear um terraplanista como diretor do Observatório Nacional só para exterminar com os humoristas de uma vez por todas.


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