FOGO DO INFERNO/ Por Fabiano da Costa

FOGO DO INFERNO/ Por Fabiano da Costa
26/04/2026

   Fui criado na Formação cristã, e uma das piores coisas que poderia ter me acontecido, foi ter me tornado cético, e chegar à conclusão de que o inferno não existia. Porque o inferno, nada mais é do que uma aspiração pessoal nossa, para que haja um lugar onde gente ruim teria de pagar pelos seus pecados.

    Em "Capitães da Areia", do Jorge Amado, um padre diz a um menino de rua que quando morremos somos todos iguais no céu. E o menino retruca dizendo que a desigualdade daqui deveria se reverter por lá.

   Nós não somos vingativos, mas somos bem justos. Se existe uma Lei do retorno, não dá para sair sem pagar pelo mal que gerou. Que o diga o Exu. 

    Mas se houvesse um inferno, lá estaria ele: o general Emilio Garrastazu Médici. Foi durante o seu período à frente do Regime Militar, que as maiores atrocidades foram cometidas. Pode-se até se dizer, que o inferno já existiu: aqui, no Brasil.

    Os porões da Ditadura militar brasileira superaram, em muito, os Campos de Concentração nazistas, os Gulags Stalinistas, e as prisões do Estado Novo. Durante a gestão Médici, o capitão Carlos Alberto Ustra e o delegado Sergio Paranhos Fleury, dois degenerados, tiveram carta branca para colocar em prática um Estado paralelo, que se baseava somente no AI-5 de seu antecessor, Costa e Silva.

  Aliás, foi Costa e Silva que trouxe Fleury para perseguir os inimigos do Regime. Até então, Fleury ganhava a vida com cassinos, tráfico de drogas e prostituição. Com o Regime militar, ganhou status de defensor dos "valores cívicos e morais" da Pátria. Coube ao riograndino Golbery do Couto e Silva, inimigo maior da Democracia, questionar a sua nomeação e defini-lo como um "bandidão".

  E na Ditadura não faltaram pessoas galgadas ao inferno: Costa e Silva, Filinto Muller, Mourão Filho, Ustra, Fleury, Delfim, Maluf, Passarinho, e toda uma patota de gente que presenciou um inferno na Terra. E claro: haviam os filhotes. Entre os "filhotes da Ditadura", que Brizola tanto denunciou, estavam Ronaldo Caiado e Fernando Collor. Os dois entraram na Política através da ARENA.

   Um dia, estarão todos juntos de novo: tomando whisky, rindo, falando de masmorras e claro, ardendo no fogo do inferno.




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