O TIRO NO PÉ DE ACOLUMBRE /Por Gerson Brito

O TIRO NO PÉ  DE ACOLUMBRE /Por Gerson Brito
30/04/2026


   A política, assim como o tempo, não tem pressa para entregar o veredito final. O que se viu hoje pode ser lido como um desfecho, mas quem conhece o xadrez do poder sabe que vitórias e derrotas possuem camadas profundas, que só se revelam quando a poeira baixa e a conveniência muda de lado.

​  Muitos celebram o que acreditam ser um cerco ao Planalto, mas o tiro pode sair pela culatra. Quem golpeia a democracia e subverte o jogo institucional na esperança de derrotar Lula, talvez esteja apenas assinando o próprio inventário político.

​O Tabuleiro em Mutação

     ​A análise fria sugere que não estamos assistindo ao enfraquecimento do Executivo, mas sim ao começo do fim de Davi Alcolumbre. Ao esticar demais a corda e personalizar o embate, o comando do Congresso corre o risco de se isolar em sua própria arrogância. Enquanto isso:

​A Sacralização de Lula: Ao ser alvo de um Congresso visto como fisiológico e desgastado, o presidente ganha o contorno de mártir e defensor das instituições. Isso pavimenta um caminho sólido rumo à reeleição, transformando o "nós contra eles" em "o povo contra o balcão de negócios".

​   O Desgate Legislativo: O Congresso, em sua sanha por protagonismo orçamentário e político, atinge níveis de rejeição que fazem qualquer movimento contra o governo parecer um ataque à própria estabilidade do país.

​Conclusão

   ​No fim das contas, o que sobra para o espectador atento é o entendimento de que as instituições estão sendo testadas por vaidades pessoais. Para além da estratégia e do cálculo político, o que fica no dia de hoje é apenas a chateação. A sensação de um país que patina enquanto seus líderes medem forças em um jogo de soma zero.

  ​A história dirá quem realmente foi derrotado hoje, mas a aposta de que o golpe de misericórdia foi dado em Lula parece, no mínimo, precipitada. O tempo, mestre da verdade, cuidará de mostrar porque o feitiço costuma virar contra o feiticeiro.




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