O PARLAMENTARISMO DE FÓRCEPS E O CREPÚSCULO DA SOBERANIA/ Por Gerson Brito

O PARLAMENTARISMO DE FÓRCEPS E O CREPÚSCULO DA SOBERANIA/ Por Gerson Brito
03/05/2026


    ​A ofensiva contra Alexandre de Moraes não é um movimento isolado de defesa da "liberdade"; é o cerne de uma estratégia maior de arqueamento das instituições. A esquerda, por vezes capturada pelo reflexo de defesa de uma legalidade que nem sempre a protegeu, vê-se empurrada a abraçar o Judiciário enquanto este se torna o último anteparo — ainda que fragilizado e repleto de privilégios — contra um projeto de poder absoluto.

​    O que está em jogo é a vitória definitiva das Big Techs sobre as instituições nacionais. A anistia ao bolsonarismo, do baixo ao alto clero, não é apenas um perdão jurídico, mas a formalização de um novo ciclo de domínio. Quer-se um Poder Judiciário "aquebrantado", incapaz de impor limites ao fluxo de desinformação que serve de combustível para o mercado e para o controle legislativo.

​O Desequilíbrio como Projeto

   ​Não estamos diante de um fenômeno natural, mas de uma construção política deliberada. O que assistimos é o avanço de um parlamentarismo a fórceps, onde o Congresso Nacional, munido de maiorias constitucionais forjadas, avança sobre o Executivo e o Judiciário. Os atores desse drama são velhos conhecidos:

​A Faria Lima e os Bancos: Que ditam o ritmo da asfixia orçamentária.

​As Big Techs: Que operam a arquitetura do caos informacional.

​A Mídia Tradicional: Que legitima a erosão do Estado de Direito sob o manto da "governabilidade".

​O "Modo de Solução" e o Caso Master

   ​Os "jantares das sextas-feiras" — como bem pontuava Conceição Tavares — não buscam o equilíbrio, buscam o absolutismo. Para essa elite, o impeachment tornou-se uma ferramenta obsoleta e ruidosa. É muito mais eficiente manter um governo sob tutela, sangrando-o em negociações diárias, do que interrompê-lo formalmente.

  ​O objetivo final é a pavimentação do caminho para o próximo ciclo presidencial. Eles querem um sucessor que resolva o "caso master" de um determinado modo — o modo que garante a entrega total do patrimônio nacional e a submissão das leis aos algoritmos e ao lucro rentista. Nesse cenário, a justiça não precisa ser extinta; basta que ela seja transformada em um cartório de luxo, validando as decisões tomadas entre cálices de vinho e sussurros de poder, longe do escrutínio popular.

​O golpe não é mais um evento; é um estado permanente de exceção administrativa. VAMOS ABRIR OS OLHOS, E DAR A RESPOSTA NAS URNAS.


Todos os campos são obrigatórios - O e-mail não será exibido em seu comentário