SOMBRAS DO PASSADO/ Por João Gomes

SOMBRAS DO PASSADO/ Por João Gomes
01/06/2026


    Há países onde o passado não passa - reorganiza-se, disputa-se, reinterpreta-se em função do presente. A Ucrânia contemporânea tornou-se um desses espaços, onde a memória da Segunda Guerra Mundial permanece como campo de fricção permanente entre herança histórica, identidade nacional e geopolítica.

     Desde a independência e, de forma mais intensa após 2014, o governo ucraniano passou a reavaliar figuras e movimentos nacionalistas que combateram ao lado de Hitler. Essa reavaliação inclui elementos historicamente controversos - incluindo indivíduos ou formações armadas cuja atuação durante a guerra foi simultaneamente marcada por episódios associados a violência étnica e colaborações circunstanciais com a Alemanha nazi no contexto da Frente de Leste.

   Se todos se lembram, no inicio do conflito - em 2022 - a Rússia anunciou que "dentro da Ucrânia o nazismo existia e tinha tomado conta do poder". A Europa rejeitou essa ideia - em nome do medo  de que "a Rússia queria invadir a Europa". Hoje a "cantiga" é diferente: variadas ações expressas oficialmente mostram como essa ligação ao "nazismo velho, num nazismo novo" existe efetivamente. Até a Polónia e Israel tem vocalizado essa crítica, insistindo na necessidade de preservar a centralidade das vítimas da limpeza étnica na Volínia e da Shoah, rejeitando qualquer forma de homenagem pública a figuras ligadas a esses contextos.

    A Europa, no geral, observa este fenómeno com uma combinação de pragmatismo estratégico e desconforto histórico. O apoio político e militar à Ucrânia na guerra atual coexiste com críticas pontuais de instituições e governos sobre a gestão da memória histórica e os limites da reabilitação de certas figuras do passado.

  Mas as provas dessa apetência ao nazismo do regime de Kiev agravam-se, principalmente quando se observa que não apenas a nível militar ele está presente. Ao nível escolar ele igualmente se afirma. E quando algumas dezenas de crianças em regime escolar decidem ir para o seu pátio de recreio e perfilar-se fazendo a cruz suástica, então já não restam muitas dúvidas sobre a preparação mental, física e funcional com que se preparam as crianças no futuro de uma nação que - conduzida por amantes do nazismo - é suportada financeiramente por toda a Europa.

   É a isso que eu chamo as "sombras do passado" e que regressam para mal do nosso futuro coletivo.




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