
Embora muitos ainda acreditem no caráter nobre e transformador da Academia, é evidente que ela não tem o propósito de transformar coisa alguma. Encontra-se bem fincada no coração da cidade, solidamente estruturada em sua espinha conceitual, um verdadeiro monumento à estagnação!
A Ciência praticada pelas academias tem-se mostrado uma forma de religião. Como todo religioso, os cientistas também acreditam nas idéias que plantam em suas próprias cabeças. Raros são os que se rebelam e, no árduo campo da rebeldia, conseguem criar ideias originais.
Até o final do século 19, os cientistas acreditavam que todo o espaço era preenchido pelo “Éter”, coisa que ninguém sabia dizer exatamente o que era. Veio o Einstein e afirmou que o Éter não existe, então todos os cientistas deixaram de acreditar nisso. E o Éter, num sopro, sumiu do mundo! Recentemente um graduado cientista disse que o espaço é preenchido pela “matéria escura”, e os cientistas estão amando essa teoria. Há também uma teoria atômica supermoderna, dizendo que o átomo é formado por sub-partículas, mas que essas sub-partículas são formadas por cordas! Então temos a “Teoria das Cordas”, na qual 99% dos cientistas acreditam. Então façamos de conta que é isso mesmo. Lá estão as cordas, tão minúsculas que nem mesmo um ultra-microscópio eletrônico consegue enxergar. Mas as cordas devem ser feitas de alguma coisa. Porque, para que elas ajam e façam o que é necessário a fim de que os átomos possam criar coisas como o morango e o besouro, é necessário uma intenção. E a intenção deve vir da coisa que forma as cordas. Mas essa coisa que forma as cordas também deve ser feita de uma outra coisa. E essa outra coisa, idem, é feito de uma terceira coisa. E assim ao infinito. Porque todas as coisas são feitas de outras coisas, e essas outras coisas também necessariamente são feitas de outras coisas. Portanto, chegamos ao imponderável, a um espaço de criatividade extraordinária que nenhum homem alcançou, nem jamais alcançará. E o que lhe resta, senão, sentindo-se um camundongo, ínfimo e incapaz, atribuir tudo isso a um Deus? Joga para Deus, que ele resolve! Então lá estão os cientistas, olhando para esse Deus que se esconde no infinitamente pequeno universo atômico. Eles já sabem que jamais alcançarão um objeto que, dentro do átomo, seja o gerador das intenções. Mas o mundo sem respostas é frio e impiedoso, então é necessário acreditar, por isso acreditamos nas Cordas! Benditas sejam as Cordas. Oremos!
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