
Eu sempre ouvi de religiosos que o Homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, então busquei por Deus em nós mesmos e no quanto a Física pode afetar a nossa compreensão (ou não) de um Ser (ou Entidade) que paira acima de todas as coisas e de tudo ao mesmo tempo.
Na teoria dos multiversos, uma divergência temporal num evento físico seria o suficiente para criar uma realidade diferente da nossa que coexistiriam ao mesmo tempo, só que em universos distintos.
Eu posso me usar como exemplo: Certa vez, eu salvei uma velhinha de morrer num incêndio. Graças a isso, eu fiquei amiga da família dela. Por conta dessas amizades, eu fiz outras amizades. Por causa dessas novas amizades, eu conheci um homem incrível que hoje é o meu marido.
E se eu não tivesse salvado a velhinha? Uma série de eventos aconteceriam e hoje eu estaria solteira ou casada com um homem diferente. Ou seja, ao salvar a velhinha eu criei uma nova versão de mim mesma que é esta que escreve essas linhas. E eu digo que esta versão é a minha versão alternativa porque eu jamais me colocaria em tamanho risco em circunstâncias normais. A "Isabel normal" ficou parada esperando o Corpo de Bombeiros chegar. Então, criou-se a minha versão, a "Isabel louca", que entrou numa casa em chamas sem a mínima proteção, mas ciente de que havia o risco real de morrer ali, nem que fosse pela inalação de fumaça.
Todavia, eu posso me aprofundar ainda mais neste paradoxo.
Das duas uma: A Isabel normal e a Isabel louca coexistem em diferentes universos que foram criados a partir de uma decisão tão improvável quanto ilógica, ou sempre foi a Isabel louca porque o passado seria imutável a partir do conceito de que o tempo não é linear e sim circular, garantindo a imutabilidade de eventos.
No segundo caso, o do tempo circular, mesmo que eu decidisse não entrar numa casa em chamas para salvar a velhinha, aconteceriam uma série de eventos que me levariam a conhecer o homem com quem vivo hoje.
Agora, usarei meus parcos conhecimentos de Física para tentar explanar sobre Deus.
Pelo que posso deduzir, quando descobrirmos qual dos eventos é o real, cientificamente comprovado, finalmente saberemos se Deus existe ou não.
Se prevalecer o Multiverso, onde a hesitação da Isabel normal criou a Isabel louca e ambas passaram a coexistir, mas em universos distintos, então Deus não existe, pois tudo no universo é o acaso ou a escolha, desde o meteoro que se desvia da Terra e preserva os dinossauros até os tempos atuais, na decisão de uma louca em arriscar a própria vida para salvar uma desconhecida. Cai por Terra a teoria do Deus onipotente, onipresente e onisciente porque não dependemos dele para nada, pois é tudo escolha ou acaso, independente do resultado, pois em quaisquer hipóteses, tudo se cria e se multiplica queria Deus ou não. E, do ponto de vista religioso, a coexistência da Isabel normal e da Isabel louca implicaria na divisão da alma ou da sua multiplicação, contrariando a crença geral de que a alma é única e pertencente a Deus.
Se prevalecer o "Princípio de Autoconsistência", de Novikov, que afirma ser o passado imutável e qualquer tentativa de alterá-lo falhará por pura falta de probabilidade física e a linha do tempo for única e circular, então Deus existe, pois aumenta bastante a probabilidade de que tudo no universo já está determinado a acontecer do jeito que aconteceu e, assim, acontecerá, como se um Deus onipotente, onipresente e onisciente já tivesse escrito e revisado o roteiro de toda Existência e nada do que façamos poderá mudar "o que já está escrito", para desespero dos dinossauros e alegria da velhinha. E, do ponto de vista religioso, seria a comprovação científica do "destino" onde tudo que aconteceu é porque estava fadado a acontecer.
Me perdoem pelo textão, mas sou daquelas que só acreditarão que as Ciências Exatas merecerão esse nome quando me derem uma resposta sobre a existência de Deus com exatidão.
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