
Eu não ia tocar nesse assunto, mas a coisa tomou uma proporção alucinada.
Torcer contra ou a favor da Argentina ou de qualquer outro time ou seleção, faz parte do jogo e das escolhas pessoais.
Entretanto, preciso dizer, com espanto, que Messi, de uma hora para outra, virou para algumas pessoas o mais novo fascista a ser combatido com todas as forças, e isso significa compartilhar sem checar e sem constrangimentos pela falta de checagem - que tanto combatemos - fotos manipuladas e algumas delas toscamente manipuladas. Tem uma até com o Messi no muro das lamentações orando e com um Kipá. Mas o que mais tem sido compartilhado são fotos do Messi com Netanyahu. Chequei uma por uma. São todas falsas.
Há um registro de um evento do elenco do Barcelona realizado em uma viagem oficial pelo Oriente Médio batizada de "Peace Tour" (Turnê da Paz). O encontro em Israel teria acontecido em 4 de agosto de 2013. A equipe foi recebida pelo então presidente Shimom Peres. Faziam parte do elenco, Messi, Xavi, Iniesta e o recém-chegado Neymar. Netanyahu estava presente.
Não consegui achar imagem desse encontro. Esse foi o único encontro meio às avessas entre Messi e Netanyahu.
Agora, é fato que Messi - que joga nos EUA - se encontrou com Trump recentemente junto com outros membros da delegação argentina. E achei muito justo que ele tenha sido cobrado por isso.
Mas, é um fato também que nenhum jogador argentino, o que inclui o Messi, se manifestou sobre a última eleição argentina. Não apoiaram nem Sérgio Massa e nem Milei. Apoio de jogadores a um candidato ocorreu no Brasil. Vários jogadores que jogaram na seleção brasileira apoiaram bolsonaro incluindo o mais famoso deles.
Agora, Messi não é uma ativista político como foi Maradora. Messi fala muito pouco e não fala nada além de futebol. Além de excessivamente tímido, é muito reservado. A única participação social que teve mais abertamente foi ser embaixador da UNICEF e fez ações em favor de crianças entre elas as de Gaza (coloco o link nos comentários.
Messi, portanto, não é comunista mas, evidentemente, não é fascista.
O mais triste de toda essa história é que vimos entre nós aqui, do nosso campo, algumas pessoas (digo só isso e friso: "algumas pessoas") que, na ânsia de torcer legitimamente contra a Argentina resvalaram em xenofobismo.
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