
Em 1959 o comerciante Luiz Guil, de Queimadas, Prudentópolis-PR, empreendeu uma viagem em seu Ford acionado a manivela. Carregado com cinco toneladas de batatas produzidas no seu povoado, pretendia vender toda a carga até chegar em Cascavel, cidade localizada a 320 quilômetros de Prudentópolis. A estrada era penosa, com muitos trechos esburacados, perigando encalhadas. Aos poucos as batatas foram sendo compradas por bodegueiros e moradores à beira da estrada, e a carga abaixava. Ao chegar em Guaraniaçu, o motorista notou que o cubo de uma roda do caminhão estava quente. Um rolamento havia quebrado. O batateiro tomou uma carona de volta a Laranjeiras do Sul, mas não encontrou nas lojas rolamentos no diâmetro adequado. Porém teve a sorte de conhecer um torneiro mecânico, que produziu uma peça para adaptar um rolamento ao cubo. De volta a Guaraniaçu, após consertar o caminhão, tocou até Cascavel. Dormiu num hotel de madeira, cujos quartos eram abundantemente habitados por besouros. Nas ruas, em torno das lâmpadas, a cidade comportava um festival de besouros e mariposas. A poeira vermelha invadia tudo. Havia outros vendedores de batatas na cidade, e o prudentopolitano já se via na contingência de retornar com metade de sua carga, quando conheceu um vendedor de bananas. Acabou trocando parte de seu produto por cachos de bananas. O restante converteu em tábuas de forro, em negociação com um dono de serraria. Luiz Guil já tinha destino certo para esse material: a construção da nova igreja de Queimadas.
(Na foto, Luiz Guil com a filha Ana Cristina, em 2010)
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