“Cultura é arma da luta política”, diz Aldo Arantes na Festa do Avante

Em Portugal, o dirigente do PCdoB lançou novo livro, refletiu sobre a ascensão da extrema-direita e ressaltou a cultura como instrumento de mobilização popular.

“Cultura é arma da luta política”, diz Aldo Arantes na Festa do Avante
08/09/2025

 

Entre uma agenda e outra na movimentada Festa do Avante 2025, em Portugal, o histórico dirigente comunista brasileiro Aldo Arantes parou para conversar com o Portal Vermelho. Representando o PCdoB, ele participou de debates, acompanhou lançamentos, fez reunião com PCP e apresentou seu mais novo livro, “Domínio das Mentes: do Golpe Militar à Guerra Cultural”.

Na entrevista, Aldo falou sobre o significado de lançar a obra em um evento internacional, refletiu sobre os desafios colocados pela ascensão da extrema-direita e destacou a importância de espaços culturais e políticos, como o Avante e o Festival Vermelho, para a mobilização das esquerdas.

Aldo Arantes – Todos sabem o papel destacado que a Festa do Avante tem, e para mim é uma alegria imensa participar. O PCdoB já marca presença aqui há 19 anos e hoje pude lançar meu livro em Lisboa, numa livraria muito querida chamada Saudade. Ontem também participei do debate sobre a guerrilha do Araguaia. É um momento de orgulho representar o meu partido, pois a Festa do Avante é um espaço de encontro de militantes, artistas e movimentos populares do mundo todo. Lançar o livro aqui é simbólico, porque o debate que ele propõe ultrapassa fronteiras nacionais.

No passado, a extrema-direita tomava o poder através de golpes militares, sobretudo na América Latina. Hoje, busca o poder pelas eleições, dominando as consciências. Faz isso com irracionalismo político-ideológico, negando ciência, história e verdade. O objetivo é criar uma confusão de ideias que garanta a continuidade do capitalismo. Eles se apresentam como radicais contra o sistema, mas na verdade são os que mais o sustentam. E nem mesmo os limites da democracia burguesa eles respeitam. Usam fake news, campanhas de ódio e manipulação digital para conquistar mentes.

Esse livro procura analisar exatamente esse processo. É um fenômeno que se repete em vários países, da América Latina à Europa, e que ameaça a democracia mundial. A guerra cultural da extrema-direita é hoje um tema urgente. Por isso considero oportuno lançar a obra aqui no Avante, num espaço onde se encontram forças progressistas de todo o mundo.

O que vemos é um cenário de acirramento político. Na Europa, a ascensão de forças xenófobas e autoritárias preocupa, e isso dialoga com processos que também vivemos na América Latina. O livro busca contribuir para compreender essa nova realidade: a extrema-direita não usa mais apenas a força bruta, mas disputa corações e mentes.

Vivemos um tempo em que contradições se aprofundam. De um lado, países capitalistas tradicionais tentam preservar sua hegemonia; de outro, surgem polos que se articulam de maneira distinta, como a China, a Índia e outros países que tensionam a ordem mundial. É um processo que não se dá de forma pacífica. Por isso, mais do que nunca, é necessária a unidade das forças progressistas internacionais.


Esses festivais cumprem um papel essencial: mostram que a cultura é também uma arma da luta política. O Avante é um exemplo disso, assim como o Festival Vermelho no Brasil ou experiências semelhantes em outros países. Eles dão voz a artistas, intelectuais e militantes que se articulam em defesa da democracia e da soberania.

Aqui, no Avante, vi representantes de vários países trazendo sua visão. Isso fortalece a compreensão de que não estamos sozinhos. Cultura e política se fundem nesse espaço, e essa fusão dá força à luta das esquerdas.

O Festival Vermelho já é uma referência no Brasil e pode inspirar novas iniciativas. A ideia é expandir: levar cultura, teatro, cinema, música e debate político para diversas regiões do país, aproximando o povo da luta de ideias.

Ele tem mostrado como podemos unir jovens, trabalhadores, artistas e intelectuais em torno de uma causa comum. É exatamente isso que precisamos: fortalecer a consciência popular usando a cultura como instrumento de mobilização e transformação.


FONTE: vermelho.org - Acesse

Todos os campos são obrigatórios - O e-mail não será exibido em seu comentário