
Outro dia resolvi aproveitar um pouco do meu tempo livro e fui dar uma olhada no que está se passando na Ásia. Até porque estou estudando sobre o mercado financeiro e quero ver como o mundo está se comportando. Admito que fiquei chocada com o que encontrei por lá.
Já ouviram falar no Butão?
Um país pequeno situado na cordilheira do Himalaia entra Índia e China. Isso mesmo que você leu, bem no meio do caminho de duas potências regionais com mais de um bilhão de habitantes cada uma, cheias de armas nucleares e que volta e meia se estranham. Os butaneses criaram o FIB (Felicidade Interna Bruta) que junta uma série de fatores para medir a felicidade reinante num mundo onde reinam a guerra e a desigualdade.
Em primeiríssimo lugar a Finlândia! Nenhuma surpresa, mas eu apostaria nos vice-campeões, o incríveis noruegueses. Os butaneses seguem mais felizes e menos endividados do que nós brasileiros (dados do Banco Mundial). Francamente, eu acho que o segredo dos butaneses deve ser viver cada dia como se fosse o último.
Os sauditas também são mais felizes do que os brasileiros. Aí já é um caso psiquiátrico. Não para nós e sim para os sauditas. Como eles conseguem ser felizes? Se eu fosse saudita já teria me suicidado só para quando chegar no Além dar uma surra no sujeito que me "aconselhou" a reencarnar na Arábia Saudita.
Juro que quando ouvi falar no FIB, que virou um novo indicador da ONU para medir o desenvolvimento da Humanidade, achei que era zoeira, mas existe mesmo. E eu aqui achando que era coisa de Nova Era ou guru esotérico.
O FIB ajuda a derrubar o mito do brasileiro como um povo feliz e comprova que somos um povo que sai para as festas só para extravasar a tristeza nossa de cada dia. Até porque há quem diga que a extrema-direita prospera onde a insatisfação com a vida prolifera.
De fato, um país com 60 mil mortos por homicídio a cada ano, milicianos e traficantes ocupando as cidades, governantes envolvidos até com tráfico de drogas e muita gente com medo de sair às ruas, não dá para ser feliz nem tomando doses cavalares de caipirinha.
Perder até para a Arábia Saudita é muita sacanagem. Perder para a Finlândia, tudo bem. Até o Condado dos Hobbits perde para a Finlândia, mas perder para a Arábia Saudita com aquele fanatismo religioso, mulheres literalmente vestidas da cabeça aos pés, canais de TV que transmitem orações e corridas de camelo no horário nobre, feminismo ainda é ficção-científica, o regime é uma teocracia histérica e nem se pode encher a cara; aí já é demais!
Perder para os sauditas no FIB é como a seleção brasileira tomar novamente de 7x1, só que para o Equador!
Eu acho que somos o povo mais chato do mundo e ninguém ainda me provou o contrário. Tem até carioca reclamando do Carnaval, aquela festa pobre que rende um bilhão de dólares para a cidade em apenas três dias. Tem nordestino reclamando das praias, catarinense reclamando da Oktoberfest, amazonense reclamando da floresta (e tacando fogo nela) e até paulista reclamando do trânsito sem deixar de ter dois carros em casa um com placa par e outro com plana ímpar.
A ONU poderia criar o IMC (índice Mundial de Chatice) só para humilharmos os finlandeses. Ainda assim não seríamos os campeões, pois periga os chilenos virem na nossa frente.
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