O CAPITÃO DAS MAMATAS DEVE VOLTAR PRA PAPUDINHA? /Por Fernando Castilho

O CAPITÃO DAS MAMATAS DEVE VOLTAR PRA PAPUDINHA? /Por Fernando Castilho
29/03/2026


  Muita gente da esquerda parece ter esquecido que Alexandre de Moraes segurou com mão firme as rédeas da democracia nos seus momentos mais turbulentos. Agora, alguns o acusam de leniência, ou até de medo, por permitir que o líder da organização criminosa familiar trocasse a cela pela prisão domiciliar.

   Em artigo anterior já havia apontado que Moraes, conhecido por sua inflexibilidade diante de bandidos, foi obrigado a ceder às pressões dos filhos mamateiros do Estado, da grande mídia e até de colegas da corte. O argumento era quase irrefutável: o capitão morte poderia morrer na Papudinha e, caso isso acontecesse, todos diriam em coro: “Eu avisei!”. Quem mais lucraria com isso? O filho 01, já em campanha presidencial, que reeditaria o episódio da facada embalado por comoção nacional. O resto da história já podemos prever.

   Mas o capitão não chegou em sua mansão saltitando de felicidade. Foi para a domiciliar com várias cautelas: tornozeleira eletrônica, vigilância policial 24 horas, proibição de celulares e visitas restritas à família e advogados apenas dois dias por semana. Tudo muito bonito no papel. Até que um drone intrometido revelou o óbvio: o capitão descumpriu as regras, recebendo visitas e exibindo uma saúde de ferro para quem, dias antes, saíra de uma UTI.

  A ironia é que o bozo, formado no Exército, parece ter aprendido apenas a arte de desobedecer ordens. Sempre que há uma determinação superior, ele arrisca e desafia. Em passado recente, tentou até romper a tornozeleira, como quem brinca de “pega-pega” com a Justiça.

  Ele e os filhos, porém, dominam uma tática militar: a dos avanços graduais e sucessivos. Primeiro, reclamaram do barulho do ar-condicionado e das instalações “precárias” da cela. Moraes cedeu e o mandou para a Papudinha, uma casa de 65 m² mais confortável que a moradia da maioria dos brasileiros, com assistência médica 24 horas. Não bastou. Todos os dias exigiam prisão domiciliar. O capitão foi parar na UTI de um hospital de luxo, com pneumonia conveniente. Isso acendeu o alerta em Moraes, que novamente cedeu: mansão paga pelo PL, com dinheiro do contribuinte, piscina e churrasqueira incluídas.

 Agora, como bons estrategistas do “quanto mais, melhor”, exigem que o 00 receba visitas a qualquer hora, como se não estivesse cumprindo pena. Reclamam, também, que a domiciliar só vale por 90 dias. Querem definitiva. Se Moraes ceder, o próximo passo será pedir autorização para reuniões políticas, churrascadas e lives. E não se pode descartar que isso já esteja acontecendo, já que, por ordem do ministro, não haverá mais drones reveladores.

  Mas o ministro, diante do flagrante descumprimento da cautelar documentado pelo drone, está de olho. E pode (e deve) mandar o capitão de volta para a Papudinha. Afinal, serpentes costumam morder os descalços, mas também podem dar o bote em quem insiste em brincar com a Justiça.


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