A criação do Estado de Israel

A criação do Estado de Israel
21/05/2026


Maio de 1948 representou o surgimento de uma nova realidade política no Oriente Médio, que continua moldando conflitos, alianças e decisões globais até hoje. Daniela Giorno para a Oeste:


Poucas horas antes do fim do Mandato Britânico sobre a Palestina, em 14 de maio de 1948, o líder judeu David Ben-Gurion declarou oficialmente a criação do Estado de Israel. O anúncio, feito no Museu de Arte de Tel-Aviv em uma cerimônia breve e histórica, marcou o nascimento de uma nova nação — e também o início de uma das disputas geopolíticas mais complexas e duradouras da história moderna.

A fundação de Israel foi resultado de décadas de tensões políticas, migrações e conflitos na região. Desde o final do século 19, o movimento sionista defendia a criação de um lar nacional judeu na Palestina, território então habitado majoritariamente por árabes palestinos e controlado pelo Império Otomano até a Primeira Guerra Mundial. Depois da guerra, a região passou ao controle britânico, e o aumento da imigração de judeus intensificou os confrontos entre comunidades árabes e judaicas.

O cenário tornou-se ainda mais dramático depois do Holocausto, no qual cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. A tragédia fortaleceu o apoio internacional à criação de um Estado judeu, considerado por muitos uma necessidade urgente de proteção e sobrevivência para o povo judeu.

Mapa de fevereiro de 1956 do Plano de Partilha da ONU para a Palestina, adotado em 29 de novembro de 1947, com a fronteira do plano de partilha anterior da UNSCOP adicionada em verde 

Em 1947, a Organização das Nações Unidas aprovou um plano (Resolução 181) para dividir a Palestina em dois Estados — um judeu e outro árabe —, enquanto Jerusalém teria administração internacional. Lideranças judaicas aceitaram a proposta, mas grande parte dos países árabes e representantes palestinos a rejeitaram, considerando-a injusta. O Estado árabe previsto pela resolução nunca chegou a ser proclamado — lacuna que permanece no centro do conflito até hoje.

A independência israelense foi proclamada em meio a um clima explosivo. No dia seguinte, exércitos de Egito, Jordânia, Síria, Iraque e outros países árabes invadiram o novo Estado, iniciando a Guerra Árabe-Israelense de 1948. Apesar da inferioridade inicial em recursos e números, Israel conseguiu resistir e expandir o território além do previsto no plano da ONU.

Para os israelenses, a guerra representou a consolidação da independência nacional, conhecida em hebraico como “Milhemet HaAtzma’ut” (“Guerra da Independência”). Para os palestinos, porém, foi uma catástrofe (ou “Nakba”, em árabe) — marcada pelo deslocamento em massa de palestinos que fugiram ou foram expulsos de suas terras.

A criação de Israel alterou permanentemente a geopolítica regional. O Oriente Médio transformou-se em palco de sucessivas guerras, alianças militares e disputas ideológicas envolvendo não apenas israelenses e árabes, mas também potências globais, entre elas os Estados Unidos e a antiga União Soviética durante a Guerra Fria. Conflitos como a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a Guerra do Yom Kippur (o “Dia do Perdão” no calendário judaico) aprofundaram rivalidades e redefiniram fronteiras e estratégias militares na região. O Sinai foi devolvido ao Egito em troca de paz, em 1979. Israel retirou assentamentos e tropas da Faixa de Gaza em 2005, embora mantenha controle de fronteiras, espaço aéreo e bloqueio em conjunto com o Egito em certos aspectos. Já a Cisjordânia permanece parcialmente ocupada e controlada por Israel.

Além das guerras, o nascimento de Israel influenciou a política internacional, a segurança energética global e as relações diplomáticas entre o Ocidente e o mundo árabe. O conflito israelo-palestino tornou-se um dos temas mais debatidos e sensíveis da diplomacia mundial, atravessando gerações sem uma solução definitiva.

Daniela Giorno é diretora de arte de Oestee, a cada edição, seleciona uma imagem relevante da semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

[O blog tem custos e a seleção, edição e publicação é feita exclusivamente pelo blogueiro. Considere colaborar com qualquer valor. Pix: otambosi07@gmail.com - Muito obrigado]

FONTE: Revista Oeste - via Blog do Orlando Tambosi (otambosi.blogspot.com)

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