
Ex-deputado e cartunista serão premiados por suas vdas marcadas pela resistência à ditadura e defesa dos direitos dos trabalhadores
Publicado 15/06/2026 16:31 | Editado 15/06/2026 18:28

O ex-deputado federal Aurélio Peres (PCdoB-SP) e a cartunista Laerte Coutinho serão os grandes homenageados com o Troféu José Martinez na celebração do Dia da Luta Operária, em 9 de julho, em São Paulo. A escolha dos dois ativistas, aprovada por unanimidade por centrais sindicais, além de instituições de memória do movimento operário, reconhece trajetórias dedicadas à emancipação da classe trabalhadora, à democracia e à crítica social.
A cerimônia, que será realizada na sede do Sindpd (Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados), na Avenida Angélica, marca as comemorações da Greve Geral de 1917, um dos marcos fundacionais do sindicalismo no Brasil.
Da formação religiosa à liderança operária
Ao lado da cartunista, o ex-deputado federal Aurélio Peres será igualmente celebrado. Sua trajetória confunde-se com a própria história da resistência à ditadura militar e da luta operária em São Paulo. Com formação católica e intelectual, Peres chegou a ser expulso do seminário pelo cardeal Agnelo Rossi, mas foi nas fábricas — como torneiro mecânico e fresador — que encontrou sua verdadeira vocação.
Na década de 1970, em plena repressão, Peres atuava na clandestinidade pelo PCdoB, mas foi eleito deputado federal pelo MDB, tornando-se um dos poucos parlamentares de extração operária na Casa; o outro era Benedito Marcílio. Ele foi o grande catalisador do Movimento contra o Custo de Vida (depois Movimento da Carestia), organizando a indignação das periferias e reunindo mais de um milhão de assinaturas em um abaixo-assinado entregue ao ditador general Ernesto Geisel.

Historiadores e militantes, como o jornalista Osvaldo Bertolino, autor de sua biografia, frequentemente comparam a envergadura de sua liderança popular à de Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo período. Peres foi um pioneiro que desbravou caminhos para a representação parlamentar dos comunistas e para a redemocratização do país, mantendo-se fiel aos seus ideais mesmo após se afastar temporariamente da militância ativa.
O traço como arma de conscientização

A escolha de Laerte para receber a honraria ressalta uma carreira vasta e impactante, na qual o humor transcendeu o entretenimento para se consolidar como uma poderosa ferramenta de crítica social e apoio às causas trabalhistas. Seu talento foi fundamental para a comunicação de veículos ligados a movimentos sindicais, com destaque para o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e a Oboré Editorial.
Por meio de seus traços e personagens, Laerte deu voz e visibilidade às pautas dos trabalhadores. Suas charges denunciaram injustiças, escancararam as desigualdades e inspiraram a reflexão sobre as condições de trabalho, reafirmando a importância da organização sindical como instrumento de luta e sobrevivência.
Memória da Greve de 1917 e outras homenagens
O Dia da Luta Operária é celebrado em 9 de julho desde 2017, por lei municipal de autoria do então vereador Antonio Donato (PT). A data rememora a Greve Geral de 1917, e o troféu é um busto de José Martinez, um sapateiro de apenas 21 anos morto a tiros por soldados da Força Pública durante uma manifestação no bairro do Brás, tornando-se um dos primeiros mártires do sindicalismo brasileiro.
Além de Peres e Laerte, a cerimônia prestará outras justas homenagens. Receberão placas póstumas figuras históricas como Waldemar Rossi, Celia Rossi, Nair Goulart, Idibal Pivetta e Paulo Frateschi. Já Paulo Canabrava e José Maria de Almeida serão agraciados com placas de reconhecimento. Os custos do evento são bancados pelas próprias centrais sindicais, reafirmando o compromisso das entidades com a preservação da memória de seus lutadores.
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