O DIA QUE ME ENCONTREI COM BUKOWSKI, NIETZSCHE E FREUD

O DIA QUE ME ENCONTREI COM BUKOWSKI, NIETZSCHE E FREUD
08/07/2026


   Não foi num bar de Los Angeles, nem numa universidade alemã, muito menos em um consultório de Viena. Foi no Bar do Ernesto em Ermelino Matarazzo, Zona Leste de SP.

   Bukowski chegou primeiro. Sentou-se, acendeu um cigarro do capeta e, sem cerimônia, disse que a vida não tem obrigação de ser bonita. Que a verdade costuma morar nos derrotados, nos bêbados, nos velhos, nos que perderam quase tudo e, ainda assim, acordam no dia seguinte e enfrentam a vida.

 Depois veio Nietzsche. Derrubou todas as certezas que eu ainda insistia em carregar. Falou que é preciso desconfiar das verdades prontas, romper com as amarras e criar o próprio caminho. Disse que quem enfrenta os próprios abismos volta diferente — ou não volta, hoje entendo bem o que é isso.

   Por último apareceu Freud. Não fez discursos. Apenas perguntou por que eu repetia tantas histórias, por que algumas dores insistiam em voltar e quantas decisões da minha vida eram realmente minhas. Descobri que o maior desconhecido sempre esteve sentado dentro de mim, cada um acendeu sua charuleta e a conversa fluiu.

    Durante a conversa, os três discordam em quase tudo, mas, curiosamente, concordavam em uma coisa: ninguém se torna inteiro fugindo de si mesmo.

   Naquele encontro improvável, entendi que viver não é colecionar respostas, é aprender a conviver com as perguntas. É aceitar as cicatrizes sem transformá-las em medalhas, enfrentar os próprios fantasmas sem lhes entregar a chave da casa e seguir em frente, mesmo quando o sentido ainda não apareceu.

    Quando fui embora, nenhum deles me deu um mapa: Bukowski me deixou coragem para encarar a realidade. Nietzsche me deixou coragem para reinventá-la. Freud me deixou coragem para compreender por que tantas vezes tentei fugir dela.

Desde então, uma pergunta não para de martelar minha cabeça: 

"Afinal, quem se Freud?

OBS: Imagem e texto IA


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